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Ano eleitoral começa com incógnitas e reviravoltas em MT

As eleições de 2010 serão realizadas sob as mesmas regras que elegeu o atual Congresso Nacional, sem alterar em basicamente nada nos seus principais pontos, como o esquema de financiamento de campanha, a principal veia que alimenta o sistema da corrupção; e participação dos “ficha suja” na disputa pelos cargos políticos, com possibilidade de compra de votos. Por falta de regulamento específico, essas são as poucas  certezas do pleito que vem se aproximando. Em Mato Grosso o ano eleitoral traz diversas incógnitas. Até aqui, a única certeza é de que o governador Blairo Maggi vai se candidatar a uma vaga ao Senado pelo Partido da República. De resto, nada é certo.

Até a candidatura do vice-governador Silval Barbosa, do PMDB, que assume o cargo no dia 31 de março, quando Maggi se desincompatibiliza para executar o projeto político desarquivado, passa por testes. Tanto político com eleitorais. Em verdade, com as  diversas viagens pelos exterior – na busca de mudar sua imagem de empresário perante o mundo e promover a mudança do perfil de Mato Grosso – Silval Barbosa acabou ganhando espaço e foi, de todos que cogitam ser candidatos, o que mais avançou no processo de conquistar apoios. Mas, terá que “remar” um pouco mais.

Silval não está sozinho como candidato ao Governo dentro do grupo que hoje controla o Estado. Há uma sombra inquietante: o empresário Mauro Mendes, que deixou o PR e se filiou o PSB. Mendes, em verdade, é a primeira grande incógnita desse processo. Certamente, nem ele mesmo sabe o que fazer.

Ao deixar o PR para entrar no PSB, Mauro Mendes ganhou o “status” imediato de candidato ao Governo do Estado – posição que recusou quando estava no PR, cujos líderes davam como certo de que seria o candidato a vice de Barbosa.  Vale lembrar que Mendes é afilhado político de Maggi, responsável pela sua introdução no processo eleitoral. Chegando no PSB, o empresário deu  garantias de que não mudara de partido apenas para ser candidato. Nos últimos tempos, no entanto, colocou um projeto de desenvolvimento do Estado debaixo do braço e está a pregá-lo e discuti-lo nas mais diversas organizações do Estado.

Os analistas políticos de plantão garantem que uma parte dos republicanos gostariam de ver Mendes candidato ao Governo com o apoio de Maggi. Derrotado nas eleições de 2008 por Wilson Santos a Prefeitura de Cuiabá, Mendes deixou de ser um novel político. Aquela candidatura  o fez ganhar musculatura política e uma relativa densidade eleitoral. É o único que tem projeto de desenvolvimento em discussão e aparenta leveza e ainda é possível se vender junto aos eleitores como um candidato diferenciado do modelo que a sociedade vem repugnando há tempos. Porém, esses “apoiadores” de Mendes só conseguiriam emplacar o sonho se Silval Barbosa, de maneira espontânea e clara, viesse a público e renunciasse a pré-candidatura – fato que aconteceria somente se não conseguisse construir a base de apoio cobrada pelo próprio governador.

Ou seja: Silval continua “remando” e Mendes tentando vender o seu peixe.  Empresário recém-conduzido a presidência da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Mauro Mendes, por sua vez, tem opções de “A” a “Z”. Pode ser candidato ao Governo, candidato a vice de Silval ou candidato a nada. Mas corre riscos também. É que o seu partido, o PSB, figura de forma mais focada na construção de uma aliança com um grupo de partidos de porte médio, como o PDT e o PPS, e pequenos como é o caso ainda do PV e do PCdoB, PRTB, entre outros.

A ligação estreita de Mendes com o Palácio Paiaguás e a busca de acomodação de alguns dos socialistas, como é o caso do presidente do partido, Valtenir Pereira, candidato a reeleição a Câmara dos Deputados, eiva de desconfianças os líderes partidários.  Pereira já chegou a se insinuar como candidato a vice de Silval. Com tantas opções e projetos pessoais permeando os debates, os líderes de algumas das siglas que compõe o bloco são tácitos em assumir que estão inseguros.

Outra incógnita vem de outro lado do balcão. Jayme Campos, senador licenciado, tenta levar os Democratas para o mais longe possível do alcance da maquinado Governo. Até aqui, não obteve sucesso. Mesmo tendo firmado acordos com o PSDB, Jayme tenta, junto com Oscar Ribeiro, dirigente partidário, segurar a sigla. Tem uma parte apenas! A maioria dos deputados estaduais, por exemplo, estão cantando hino do Grêmio de Futebol Portoalegrense para o “colorado” Maggi: “Com Maggi, onde Maggi estiver”. Tanto que ninguém ousa mover uma palha para deixar a base.

Esta semana, ao presenciar Silval Barbosa indicar os primeiros nomes para compor o seu futuro Governo, o deputado federal Carlos Bezerra, velha raposa da política de Mato Grosso, não escondeu de ninguém que trabalha para que o DEM apoio o projeto peemedebista. “Eles vão estar conosco” – disse. Se não em corpo, pelo menos em espírito, isto é, se não for a sigla, entram os aliados. Será, a rigor, se confirmado, o maior flagrante de infidelidade partidária de todos os tempos. Para os mais polidos, a prevalecência do liberalismo democrático entre os Democratas. Até onde isso pode dar certo, ninguém sabe. Ousado e usando de uma tática política conhecida, Bezerra coloca gasolina na fogueira e acha até que Jayme Campos estará com Silval.

Por fim, a candidatura de Wilson Santos, prefeito de Cuiabá.  Santos tem um compromisso firmado com Jayme Campos, do DEM, mas que não tem o DEM por completo. Esse compromisso é assim: em fevereiro, quem tiver melhor perante a opinião pública, leva o apoio do outro. A questão não está, contudo, bem amarrada. Por exemplo, ninguém abordou qual o critério a ser definido se houver um empate técnico. Um ponto, dois pontos, três pontos a frente ou atrás vai, certamente, gerar conflito de posições.

Em verdade, somente Maggi tem destino certo para as urnas em 2010. Aliás, na disputa pelo Senado Federal é o único nome definido. O Partido dos Trabalhadores no Estado terá um candidato a uma das vagas. Até aqui, a senadora Serys Slhesarenko já deixou claro que disputa a reeleição. Do contrário, vai para baixo da mesa. Apesar do desempenho político nos últimos anos, a senadora enfrenta risco de ver seu projeto naufragar em face do grupo político adversário ter assumido a grande maioria das posições internas no PT. Esse grupo insiste para que Carlos Abicalil, atual deputado federal seja o candidato no lugar de Serys, abrindo espaço para Saguas Moraes, deputado estadual licenciado, atualmente ocupando o cargo de secretário de Educação, ser o candidato a deputado federal.

Outro político de relativa expressão ainda com futuro incerto e duvidoso é Percival Muniz. Ex-guru do governador Maggi, Percival negocia com todos. Pode ser de vice a candidato a reeleição. Por questões de ordem paroquial, resiste a dar apoio ao PMDB de Carlos Bezerra, esperando um tropeço administrativo do partido em Rondonópolis para que um dia possa voltar a condição de prefeito.



 
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