Eventos. SEMAD-MT - Secretaria Estadual de Missões das Assembleias de Deus do Estado de Mato Grosso.

EVENTOS

2º aula CURSO DE PREPARAÇÃO MISSIONÁRIA/2015 Prof. Ev. Marcos Guimarães

25/05/2015

CURSO DE PREPARAÇÃO MISSIONÁRIA

 

 

Ev. Nelson Barbosa Alves

Secretário Estadual de Missões / Semad-MT

Ev. Wesley Marcelino de Oliveira

Secretário Executivo de Missões / Semad-MT

Pb. Claudenir Pereira Dias

Coordenador de Cursos / Semad-MT

 

 

 

 

 

 

Cuiabá - MT 23 de Maio de 2015.

 

POSTURA DO MISSIONÁRIO

Ev. Marcos Guimarães

Artigos para leitura e norteamento da aula:

  1. A atitude do missionário com a compreensão de que Deus é um Deus missionário

Artigo para leitura: Nosso Deus é um Deus missionário

  1. A atitude do missionário diante da compreensão da missão como reino de Deus

Artigo para leitura: O papel da igreja local no preparo do missionário

  1. A atitude do missionário na sua relação com a igreja local

Artigo para leitura: O Reino de Deus e a missão

  1. A atitude do missionário na missão para com os povos islâmicos

Artigos para leitura: Cristãos e Muçulmanos – histórico de relação conflituosa;

  1. Artigo para leitura: O evangelho para os muçulmanos;
  2. Artigo para leitura: O muçulmano deve deixar o Islamismo para seguir a Jesus?

 


 

Nosso Deus é um Deus missionário [1]

Milhões de pessoas no mundo de hoje são extremamente hostis ao empreendimento missionário cristão. Elas o consideram politicamente prejudicial (porque enfraquece os laços que unem a cultura nacional) e religiosamente tacanho (porque reivindica exclusividade para Jesus), enquanto os que se envolvem com missões são tidos como imperialistas arrogantes.

A Chamada de Abraão -- Deus fez uma promessa (complexa, conforme veremos) a Abraão, e para entender a Bíblia e a missão cristã é indispensável entender essa promessa. Talvez esses sejam os versículos que melhor resumem a Bíblia. Todo o propósito de Deus encontra-se condensado aqui. Deus escolheu um homem e sua família, a fim de abençoar por meio deles todas as famílias da terra.

Gênesis 12 começa assim: “Ora disse o Senhor a Abrão...”. Parece uma forma abrupta de começar um novo capítulo. Somos levados a perguntar. “Quem é esse ‘Senhor’ que falou a Abrão? Quem é esse Abrão’ a quem ele falou?”. Eles não são introduzidos no texto abruptamente. Há muita coisa por trás dessas palavras. Elas constituem uma chave que abre o todo das Escrituras. Os 11 capítulos anteriores conduzem a elas. O restante da Bíblia é consequência e cumprimento dessas palavras.

 

A promessa -- Qual foi, então, a promessa que Deus fez a Abraão? Foi uma promessa complexa que consistia de diversas outras promessas.

Primeira: a promessa de uma posteridade. Ele devia deixar sua parentela e a casa de seu pai e, em troca da perda da íamília, Deus faria dele “uma grande nação”. Mais tarde, para indicar isso, Deus mudou o nome do patriarca de “Abrão” (“pai exaltado”) para “Abraão” (“pai de uma multidão”) e lhe disse: “Por pai de numerosas nações te constituí” (Gn 17.5).

Segunda: a promessa de uma terra. Parece que o chamado divino veio em duas etapas. Primeiramente, em Ur dos caldeus, quando o pai de Abraão ainda vivia (11.31; 15.7), e depois em Harã, após da morte de seu pai (11.32; 12.1). De qualquer modo, ele devia deixar sua terra natal, e, em troca, Deus lhe mostraria outra.

Terceira: a promessa de uma bênção. Cinco vezes as palavras “bênção” e “abençoar” aparecem em 12.2,3. A bênção que Deus prometeu a Abraão transbordaria sobre toda a humanidade.

“Uma terra, uma posteridade, uma bênção: mas que relação tem tudo isso com missões?”, talvez você se pergunte, impaciente. Minha resposta é: “Tudo!

 

O aprendizado com o chamado de Abraão -- Iremos resumir o que aprendemos acerca de Deus com base em sua promessa a Abraão e o seu cumprimento, destacando cinco características.

Primeira: ele é o Deus da História. A História não é um fluxo de acontecimentos ao acaso. Deus executa, no devido tempo, o plano que concebeu na eternidade passada e será consumado na eternidade futura. No processo histórico, Jesus Cristo, na qualidade de semente de Abraão, é a figura-chave. Se recebemos as bênçãos da justificação pela fé, a aceitação de Deus e a habitação do Espírito, então somos hoje os beneficiários da promessa feita a Abraão há 4 mil anos.

Segunda: ele é o Deus da aliança. Isto é, Deus é suficientemente bom e afável para fazer promessas, e ele sempre cumpre o que promete. Todas as promessas de Deus se realizam, mas elas são herdadas “pela fé e pela longanimidade" (Hb 6.12), isto é, pela paciência.

Terceira: ele é o Deus da bênção. “[Eu] te abençoarei”, foi o que disse a Abraão (Gn 12.2). “Deus [...] enviou-o [Jesus] primeiramente a vós outros para vos abençoar”, exclamou Pedro (At 3.26). A atitude de Deus para com seu povo é positiva, construtiva, enriquecedora. Sua principal obra e característica é abençoar a humanidade com a salvação.

Quarta: ele é o Deus da misericórdia. Sempre recebi muito alento da declaração de Apocalipse 7.9, segundo a qual a multidão dos remidos no céu será “uma grande multidão que ninguém podia enumerar”.A promessa de Deus será cumprida, e a semente de Abraão será tão numerosa quanto o pó da terra, as estrelas do céu e a areia da praia.

Quinta: ele é o Deus das missões. As nações não são reunidas automaticamente. Se Deus prometeu abençoar “todas as famílias da terra”, ele pretendia fazê-lo por meio da descendência de Abraão (Gn 12.3; 22.18). Somos a semente de Abraão pela fé, e as famílias da terra só serão abençoadas se formos a elas com o evangelho. Esse é o propósito explícito de Deus. Oro para que a expressão “todas as famílias da terra” seja gravada em nosso coração. Ela, mais que qualquer outra, revela o Deus vivo da Bíblia como um Deus missionário. Essa expressão também condena o denominacionalismo mesquinho, o nacionalismo estreito, o orgulho racial (branco ou negro), o paternalismo condescendente e o imperialismo arrogante. Como nos atrevemos a adotar uma atitude hostil, desdenhosa ou mesmo indiferente para com qualquer pessoa de outra cor ou cultura se nosso Deus é o Deus de “todas as famílias da terra”? Precisamos nos tornar cristãos globais, com uma visão global, pois temos um Deus global.

 

O papel da igreja local no preparo do missionário [2]

Raramente, a igreja local é considerada o lugar do preparo missionário. Ela envia os candidatos para seminários e escolas de treinamento sem conhecê-los profundamente e sem ter tido uma contribuição significativa na vida deles, pensando que todo treinamento será feito naquelas instituições. Os resultados são alunos sem experiência cristã consistente, sem prática ministerial e sem conhecimento da Palavra de Deus e das grandes verdades que definem o cristianismo. Sem o preparo na igreja local, o candidato a missões chega à escola e, mais tarde, ao campo missionário com os fundamentos minados e com lacunas na formação e na construção do caráter e da capacidade missionária. O contato de longo prazo, o ensino da Palavra, a vida em comunidade e o crescimento mútuo de cristãos que se amam e ajudam uns aos outros a viver dignamente no Senhor é a melhor escola missionária. O missionário levará consigo para o campo as atitudes e o modelo que fizeram parte de sua formação cristã, repetindo e imitando o que experimentou e viveu (muito mais do que aprendeu numa escola formal, embora precise dela também, para complementar seu conhecimento teológico e missiológico).

Em termos práticos, o que a igreja local pode fazer para melhor enviar seus candidatos a missionários? Creio que há cinco áreas principais em que ela tem maior responsabilidade e melhores condições na formação dos missionários.

  1. Atitudes para com Deus

Quem é Deus? Quais são suas características? Como é nosso relacionamento com ele? As mais variadas atitudes a respeito de Deus vigoram em nossas igrejas. Scott Horrell elaborou a seguinte lista:

  • Deus é um ditador sobre ovelhas passivas. O fatalismo cultural invade as doutrinas sob diversos nomes: “confiança”,“fé”, “se Deus quiser”, “Deus quis assim”, “Deus é soberano”.
  • Deus é um sorridente pai passivo. Ele não irá fazer mal a ninguém, especialmente se a mãe de Jesus e o próprio Jesus lhe pedem. Ele quer ser aceito pelo povo, então agrada e faz o que o povo quer e ordena.
  • Deus é um animador celestial de festas, com gritos e danças. Servir a Deus consiste em fazer muito barulho e movimentação, quase exclusivamente na hora do louvor, nos cultos.
  • Deus é austero, quase sempre negativo, não gosta de nós. Ele é perigoso e deve ser evitado.

Podemos rir de algumas dessas classificações, mas, infelizmente, elas são verdadeiras para muitas pessoas. Com que ideia de Deus o missionário sairá do Brasil para evangelizar um povo que ainda não sabe nada do Deus cristão? Que ideia será comunicada e implantada nos fundamentos da nova igreja iniciada pelo missionário?

Que Deus maravilhoso temos para manifestar com a vida e com palavras aos povos — um Deus majestoso, criador, justo! Sabemos que esse Deus grande, imenso, nos ama também. Cabe a nós ser submissos a ele, aceitá-lo e saber com certeza que sua vontade em nossa vida é por amor. Se ele entregou o próprio Filho por nós, quanto mais irá cuidar de nós, mesmo nas dificuldades! Deus é trino. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são envolvidos na missão da Igreja. DeusPai enviou seu Filho por amor do mundo. O Filho, por sua vez, envia seus discípulos, pelo poder do Espírito Santo, e promete estar com eles até a consumação dos séculos! A doutrina da Trindade pode ser considerada por muitos teórica demais, sem aplicação prática e difícil de entender. Sem diminuir seu valor, mas deixando de lado infindáveis discussões sobre minúcias, alguns têm chamado a atenção para vários aspectos de aplicação prática dessa doutrina, que antes não eram tão ressaltados. Isso também pode ser observado quanto à sua relação com missões.

O Deus trino tem coração missionário. De fato, a doutrina da Trindade sugere aplicações bem práticas para as missões. Eis algumas delas:

  1. Cooperação. O Deus trino age em cooperação. O Pai criou, o Filho redimiu, o Espírito Santo levou a efeito. Assim, a obra missionária deve acontecer em cooperação entre missionários e missionários, igreja local e agências. Essa visão do missionário no campo começa na igreja local e compreende a natureza de cooperação do Deus trino.
  2. Distribuição de funções sem parcialidade. As pessoas da Trindade têm funções definidas. O Pai criou, o Filho redimiu, o Espírito Santo capacitou. Assim, podemos falar de Deus sobre nós, Deus por nós, Deus em nós. Tanto a igreja local quanto os missionários entre si e as agências missionárias devem entender bem suas funções. Um não precisa atropelar o outro ou prescindir do outro. O missionário no campo, por exemplo, deve desde cedo delegar funções. Deve confiar na capacitação dada por Deus aos nacionais, em vez de ficar nutrindo o sentimento de que “eles ainda não são capazes”.
  3. Humildade voluntária. A Bíblia diz que o Filho decidiu voluntariamente se humilhar (Fp 2.6-8). O Espírito glorifica o Filho (Jo 16.14). O Filho glorifica o Pai (Jo 17.4).O Pai exalta o Filho (Fp 2.9-11). Isso implica a natureza de serviço da obra missionária. Ninguém deve querer ser missionário para ficar famoso ou para ter um emprego. A igreja local não deve se envolver com missões para crescer e ficar famosa como “grande igreja missionária”. O envolvimento com missões deve ser resultado do desejo voluntário de servir. Servir a Deus. Servir a igreja. Servir o próximo.

Atitudes sobre Deus são formadas na igreja local. Atitudes de submissão, temor, gratidão, louvor verdadeiro (dc coração, não apenas barulho), amor e até paixão em seguir e servir a um Deus como o nosso podem acontecer entre os membros da comunidade e na vida da igreja local. É parte essencial do preparo missionário da igreja ajudar as pessoas a conhecerem profundamente esse Deus soberano e maravilhoso.

 

  1. Atitudes para com a mensagem do evangelho -- Em nossos dias, a mensagem do “evangelho” em geral consiste em convidar o povo para conhecer um Jesus que irá resolver todos os problemas, que ajudará todos a se sentirem bem e que é um bilhete para o céu. Não entendem o pecado, a cruz, o sangue sacrifical de Jesus como Cordeiro de Deus nem a esperança da ressurreição. Pouco entendem a graça e a misericórdia de Deus. Há pouco quebrantamento em nossas igrejas nos dias de hoje. A mensagem básica foi alterada.

 

  1. Atitudes para com a Palavra de Deus -- Na Grande Comissão, Jesus ordenou que fôssemos a todas as nações, ensinando a guardar tudo que ele havia ensinado. Jesus baseava seu ensino nas Escrituras. São inúmeras as citações que ele faz, e chega a dizer que nem um jota ou til seria mudado, e que tudo passará, menos sua Palavra. Com que visão e conteúdo da Palavra os missionários têm sido enviados por nossas igrejas? Adquirem eles algum conteúdo nas mensagens, na escola dominical, nas conversas com os líderes e com outros membros? Ouvem eles ensinos sobre a história bíblica, as grandes doutrinas do Novo Testamento e as bases essenciais antecedentes do Antigo?

Se a resposta for negativa, como irão “fazer discípulos de todas as nações”, ensinando-os a obedecer a tudo que Jesus ordenou?Ensinar a Palavra e sobre a Palavra deve ser a essência do currículo missionário da igreja local.

  1. Atitudes para com a própria igreja -- O que é a igreja local? De onde veio? Qual seu papel e significado? Como deve ser estruturada e mantida? Como é sua liderança e como se dá o processo de mudança e de crescimento? Se o missionário vai trabalhar no plantio de novas igrejas ao redor do mundo ou edificar igrejas já existentes, ele precisa ter convicções fortes quanto ao significado da igreja local. Alguns a consideram uma espécie de clube: o interessado se torna sócio pelo batismo e paga a mensalidade para manter essa condição. Outros a encaram como um hospital: procuram a igreja para serem curados. Para outros, é uma empresa com chefes, subordinados e funcionários, tudo organizado em níveis de hierarquias e autoridades. Pode ser também como uma sociedade secreta: os de fora não têm acesso aos seus ensinos. Pode ainda ser o lugar onde se pode ficar rico e ter os pedidos atendidos, se for pago o suficiente nas ofertas.

A Bíblia, porém, deixa claro que a igreja local é outra coisa. Ê uma família, um Corpo no qual todos são amados e importantes. E lugar de crescimento, de comunhão e de exortação para aperfeiçoamento. E um edifício, no qual todos os membros trabalham para o crescimento e edificação mútua. Não há grupos privilegiados, mais amados por Deus. Todos possuem dons que são úteis para os demais. Todos devem ser cuidados e amados e aproveitados para o Reino de Deus. A igreja é o canal por onde Deus comunica seu amor e sua majestade às nações.

  1. Atitudes para com o povo -- O missionário irá trabalhar com pessoas, quase sempre de um contexto diferente. O modo em que as pessoas “diferentes” eram tratadas em sua igreja de origem determinará, em grande parte, o tratamento que ele dispensará ao povo-alvo e aos seus discípulos no campo missionário. Se a igreja era paternalista, ele provavelmente terá dificuldades em não ser paternalista. Se o pastor era dominador, ele será um missionário dominador. Se o pastor era “mais importante”, ele também irá querer ser o mais importante no campo e considerará o povo uma classe inferior. Se o pobre era tratado com desprezo em sua igreja, assim o missionário o tratará no campo.

A igreja pode ajudar na formação de boas atitudes sociais não apenas no tratamento que dispensa às pessoas, mas também na forma em reage aos acontecimentos fora dela. Qual a atitude da igreja quando há uma guerra na África ou um terremoto na índia? A igreja se envolve em oração? Quando há injustiças, perto ou longe, a igreja procura defender os fracos e amenizar seu sofrimento?

Como os ricos de sua igreja tratam os pobres? Mostram-se acessíveis? Compartilham refeições? Os pobres ocupam funções de liderança espiritual na igreja? A Bíblia inteira revela o desejo de Deus de ver seu povo tratando com justiça a todos, de igual modo, desde a pessoa vestida de trapos até o dignitário que entra pela porta.

 

O Reino de Deus e a missão[3]

Jesus Cristo veio para trazer o reino de Deus

Então veio Jesus de Nazaré com a proclamação: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 4.17). O tema da vinda do Reino de Deus era fundamental para sua missão. Seu ensinodestinava-se a mostrar aos homens como eles poderiam ingressar no Reino de Deus (Mt 5.20; 7.21). Suas poderosas obras tinham a intenção de provar que o Reino de Deus havia chegado (Mt 12.28). Suas parábolas ilustravam aos discípulos a verdade acerca do Reino de Deus (Mt 13.11). Quando ele ensinou os discípulos a orar, no centro da oração estavam as palavras: “Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10). Na véspera de sua morte, ele assegurou aos discípulos que ainda partilharia com eles a felicidade e a comunhão do Reino (Lc 22.22-30). Ele prometeu ainda que apareceria outra vez na terra, em glória, para trazer a bem-aventurança do Reino àqueles para os quais esse Reino estava preparado (Mt 25.31,34).

O significado de "reino" -- Devemos fazer a mais fundamental das perguntas: qual o significado de “reino”? A resposta moderna a essa pergunta impede a compreensão do significado dessa verdade bíblica. Na mentalidade e no modo de falar ocidentais, “reino” é principalmente um domínio sobre o qual um rei exerce sua autoridade. O dicionário segue essa linha de pensamento, dando como sua primeira definição contemporânea: “Estado ou monarquia cujo chefe é um rei; domínio; império”.

O segundo significado de “reino” é o povo que pertence ao dito reino. -- A mentalidade moderna sobre o significado de “reino” não nos ajuda a compreender o significado bíblico de “reino”. Nesse ponto, o Dicionário Webster sugere, em sua primeira definição: “A dignidade, qualidade, estado ou atributos de um rei; autoridade real; domínio; monarquia; realeza (arcaísmo)”. O significado primário de ambas as palavras, a hebraica malkuth, no Antigo Testamento, a e grega basileia, no Novo Testamento, é a dignidade, a autoridade e a soberania exercidas por um rei. Uma basileia pode realmente ser um reino sobre o qual um soberano exerça sua autoridade; pode ser também o povo que pertence a esse reino e sobre o qual a autoridade é exercida. Todavia, são significados secundários e derivados. Em primeiro lugar, o reino é a autoridade para reinar, a soberania do rei.

O significado de "Reino de Deus" -- Quando a palavra se refere aoReino de Deus, diz respeito sempre ao seu reinado, seu governo, sua soberania, e não ao domínio que está sujeito a ele. Salmos 103.19: “Nos céus, estabeleceu o Senhor o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo”. O Reino de Deus, seu malkuth, é seu governo universal, sua soberania sobre toda a terra. Salmos 145.11: “Falarão da glória do teu reino e confessarão o teu poder”.

O Reino de Deus é a realeza, o governo, a autoridade de Deus. Se entendermos isso, poderemos atravessar o Novo Testamento e encontrar diversas passagens nas quais esse significado é evidente. O Reino não é um lugar ou um povo, mas o reinado de Deus. Jesus disse que devemos “receber o reino de Deus” como criancinhas (Mc 10.15). O que é recebido? A Igreja? O céu? É o governo de Deus. Para entrar na futura esfera do Reino, é preciso submeter-se em perfeita confiança ao governo de Deus aqui e agora.

Devemos também buscar, “em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça” (Mt 6.33). Qual o objetivo de nossa busca? A Igreja? O céu? Não. Devemos buscar a justiça de Deus – seu controle, seu governo, seu reinado sobre nossa vida.

Quando virá o Reino? -- Neste estudo final, iremos examinar um único versículo dos ensinamentos de nosso Senhor (Mateus 24.14). A verdade contida nesse versículo é, sob certo aspecto, a mais importante de toda esta série de estudos para a Igreja de hoje. É um texto cujo significado só pode ser percebido se tivermos a base do estudo mais abrangente sobre o Reino de Deus.

Descobrimos que o Reino de Deus é o reinado de Deus que impõe derrota aos seus inimigos e leva a humanidade a desfrutar das bênçãos do reinado divino. Descobrimos que o reinado de Deus é alcançado em três grandes atos, de modo que podemos dizer que a chegada do Reino se dá em três etapas. A terceira e última vitória acontece no fim do Milênio, quando a morte, Satanás e o pecado são finalmente destruídos, e o reino é instalado em sua perfeição final. A segunda vitória acontece no começo do Milênio quando Satanás é a correntado e lançado no abismo. No entanto, o pecado e a morte, ao que parece, continuarão nesse período, pois a morte só será lançada no lago de fogo até o final do Milênio.

A manifestação inicial do Reino de Deus encontra-se na missão de nosso Senhor na terra. Antes da era vindoura, antes do reinado milenar de Cristo, o Reino de Deus penetrou imediatamente na presente era do mal, por meio da pessoa e obra de Cristo. Portanto, podemos experimentar agora seu poder; podemos conhecer sua vida; podemos começar a participar de suas bênçãos. Depois de adentrarmos o gozo das bênçãos do Reino de Deus, nossa última pergunta é: o que vamos fazer como resultado dessas bênçãos? Iremos passivamente desfrutar a vida do Reino enquanto aguardamos a consumação que se dará por ocasião da volta do Senhor? Sim, temos de aguardar, mas não passivamente. Talvez o versículo mais importante da Palavra de Deus para o povo de Deus na atualidade seja o texto deste estudo: Mateus 24.14: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”.

No relato bíblico de Mateus 24.3b: “[...] Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” Jesus deu uma resposta detalhada à pergunta deles. Começou por descrever o curso desta era até o final. Esta era do mal irá durar até sua volta e sempre será hostil ao evangelho e ao povo de Deus. O mal prevalecerá. Influências sutis, enganadoras, procurarão afastar os homens de Cristo. Religiões falsas, messias enganadores irão desviar a muitos. As guerras continuarão; haverá fomes e terremotos. A perseguição e o martírio assolarão a Igreja. Os crentes sofrerão ódio até o fim desta era. Os homens irão tropeçar e trair-se uns aos outros. Falsos profetas se levantarão, a iniquidade irá proliferar, e o amor de muitos vai esfriará. Contudo, o quadro não é de escuridão e maldade irrestritas. Deus não abandonou a presente era às trevas. Escrituras apocalípticas judaicas do período do Novo Testamento concebiam uma era sob o controle absoluto do mal. Deus havia se retirado da participação ativa nos negócios humanos; a salvação pertencia apenas ao futuro quando o Reino de Deus viesse em glória. O presente testemunharia apenas tristezas e sofrimentos. Alguns cristãos têm refletido a mesma atitude pessimista. Satanás é o “deus deste século”, portanto, dizem, o povo de Deus não deve esperar nada além do mal e da derrota nesta era. De fato, a Palavra de Deus ensina que haverá uma intensificação do mal no fim do século, pois Satanás permanece como deus deste século. Entretanto, negamos de forma veemente que Deus tenha abandonado a presente era ao Maligno. Na verdade, o Reino de Deus já penetrou nesta era do mal. Satanás já foi derrotado. O Reino de Deus, em Cristo, criou a Igreja e opera no mundo por meio dela na realização dos propósitos divinos de expansão de seu Reino no mundo. Somos apanhados numa grande luta — o conflito dos séculos. O Reino de Deus opera neste mundo pelo poder do evangelho: “Será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim”.

A missão do Reino. Em Mateus 24.14, encontramos também uma missão, além da mensagem. O evangelho do Reino — as boas novas da vitória de Cristo sobre os inimigos de Deus — deve ser pregado em todo o mundo para testemunho a todas as nações. Essa é a nossa missão. Esse versículo é um dos mais importantes de toda a Palavra de Deus para explicar o significado e o propósito da história humana.

Nossa responsabilidade: completar a tarefa -- Deus nos confiou a continuação e a consumação da tarefa. Estamos próximos do término da missão mais que qualquer geração anterior. Fizemos mais nos últimos séculos pela evangelização do mundo que em todos os séculos anteriores desde a era apostólica. A tecnologia dos últimos séculos nos proporcionou a imprensa, o automóvel, o avião, o rádio e muitos outros meios de realizar a tarefa de levar o evangelho a todo o mundo. Línguas antes desconhecidas estão sendo condicionadas à forma escrita. A Palavra de Deus já está traduzida em milhares de línguas e dialetos, e o número cresce a cada ano. Alguém dirá: “Isso é impossível. Muitos países estão fechados ao evangelho. Não podemos entrar na China. As portas da índia estão se fechando. Se a volta do Senhor aguarda a evangelização do mundo pela Igreja, então é quase certo que Cristo não irá retornar nesta geração, pois há muitos países fechados ao evangelho, o que torna impossível concluir a tarefa em nossos dias”.

Essa atitude não leva Deus em conta. E verdade que muitas portas estão fechadas no momento, mas Deus é capaz de abrir portas fechadas da noite para o dia e também de trabalhar por trás de portas fechadas. Minha preocupação não é com as portas fechadas: é com as portas que estão abertas e pelas quais não entramos. Se o povo de Deus fosse realmente fiel e fizesse o possível para concluir a tarefa, Deus providenciaria a abertura das portas. Nossa responsabilidade são as muitas portas que estão escancaradas e pelas quais não estamos entrando. Somos um povo desobediente. Nossa responsabilidade não é definir os termos de nossa tarefa, e sim cumpri-la. Enquanto Cristo não volta, nossa tarefa continua inacabada. Apressemo-nos em completar nossa missão.

"Ide, Portanto..." -- Você ama a volta do Senhor? Então não medirá esforços para levar o evangelho a todo o mundo.

 

Cristãos e Muçulmanos – histórico de relação conflituosa[4]

Estamos acostumados a ouvir notícias sobre o relacionamento hostil entre palestinos e judeus em Israel. Vez por outra, também tomamos conhecimento de violentos choques entre muçulmanos e adeptos do hinduísmo e de outras religiões na Índia e em outros países asiáticos.

Todavia, mais antigo e mais pleno de consequências para o mundo tem sido o relacionamento tenso — por vezes abertamente belicoso — entre cristãos e muçulmanos há quase 1.400 anos. Os recentes atentados terroristas nos Estados Unidos, as ações militares norte-americanas no Afeganistão e as iradas manifestações de muçulmanos em muitos países constituem outro capítulo dessa longa história de conflitos.

O advento do islamismo -- Desde o início, o islamismo foi uma religião aguerrida e militante, marcada por intenso fervor missionário. Um conceito importante é o da jihad, ou seja, o esforço em prol da expansão do islã por todo o mundo. Esse esforço muitas vezes adquiriu a conotação de guerra santa, como aconteceu de maneira especial no primeiro século após a morte de Maomé, em 632. Movidos por um profundo zelo pela nova fé, os exércitos muçulmanos conquistaram sucessivamente a península da Arábia, a Síria, a Palestina, o Império Persa, o Egito e todo o norte da África. Nesse processo, o cristianismo foi enfraquecido ou aniquilado em muitas regiões nas quais foram extremamente prósperos nos primeiros séculos. Lugares como Antioquia, Jerusalém, Alexandria e Cartago, onde viveram os pais da Igreja Orígenes, Cipriano, Tertuliano e Agostinho, foram perdidos em definitivo pelos cristãos. Em 674, os muçulmanos lançaram os primeiros ataques contra Constantinopla, a grande capital cristã do Império Bizantino.

No ano 711, os mouros atravessaram o estreito de Gibraltar sob o comando de Tarik (daí Gibraltar, isto é, “a rocha de Tarik”) e invadiram a península Ibérica, ocupando a maior parte do território espanhol. Em seguida, atravessaram os Pirineus e penetraram na França, mas foram finalmente derrotados por um exército cristão comandado por Carlos Martelo, o avô de Carlos Magno, na batalha de Tours, em Poitiers, no ano 732.

As Cruzadas -- O avanço islâmico teve profundas repercussões para o cristianismo. Como vimos, a Igreja oriental ou bizantina foi seriamente enfraquecida, tendo perdido algumas de suas regiões mais prósperas. A Igreja ocidental ou romana voltou-se mais rara o norte da Europa. Com isso, o cristianismo tornou-se mais europeu e menos asiático ou africano. Também foi acelerado o processo de separação entre as igrejas grega e latina.

Outro problema para os cristãos foi a mudança de postura com relação à guerra e ao uso da força. Desde o início, os cristãos haviam aprendido de Cristo e dos apóstolos a prática do amor e da tolerância no relacionamento com o próximo. Agora, num mundo cada vez mais hostil à sua fé, eles acabaram abandonando muitos de seus antigos valores e passaram a elaborar justificativas filosóficas e teológicas para legitimar a violência em certas situações. Esse processo havia se iniciado com a aproximação entre a Igreja e o Estado a partir do imperador Constantino, no século IV, tendo se intensificado nos séculos seguintes. Num primeiro momento, legitimou-se o uso da força contra grupos cristãos dissidentes ou heréticos, como os arianos e os donatistas. Séculos mais tarde, os cristãos haveriam de articular uma versão própria de guerra santa, dirigindo-a principalmente contra os muçulmanos. A maior, mais prolongada e mais sangrenta confrontação entre cristãos e islamitas foram as famosas Cruzadas, que se estenderam por quase 200 anos (1096-1291). Antes disso, a cristandade já havia começado a lutar contra os muçulmanos na Espanha, o que ficou conhecido como a Reconquista, intensificada a partir de 1002 com a extinção do Califado de Córdova. Desenvolveu-se, assim, a partir da península Ibérica, uma forma de catolicismo agressivo e militante, que haveria de estender-se a outras partes do continente.

As cruzadas foram um fenômeno complexo, cuja causa inicial foi a impossibilidade de acesso dos peregrinos cristãos aos lugares sagrados do cristianismo na Palestina. Por vários séculos, os árabes haviam permitido, salvo em breves intervalos, as peregrinações cristãs a Jerusalém, e estas cresciam continuamente. Todavia, a situação mudou quando os turcos seljúcidas, a partir de 1071, conquistaram boa parte da Ásia Menor e, em 1079, a cidade de Jerusalém, fazendo cessar as peregrinações. Com isso, surgiu na Europa um clamor pela libertação da Terra Santa das mãos dos “infiéis”.

A Primeira Cruzada foi pregada pelo papa Urbano II, em Clermont, na França, em 1095, sob o lema Deus vult (“Deus o quer”). Depois de uma horrível carnificina contra os habitantes muçulmanos, judeus e cristãos de Jerusalém, os cruzados implantaram naquela cidade e região um reino cristão, que não chegou a durar um século (1099-1187).

A Quarta Cruzada foi particularmente desastrosa em seus efeitos, porque se voltou contra a grande e antiga cidade cristã de Constantinopla, que foi brutalmente saqueada em 1204. A Oitava Cruzada encerrou a série de campanhas militares, que trouxe alguns benefícios, como maior intercâmbio entre o Oriente e o Ocidente e a introdução de inventos e novas ideias na Europa, mas os efeitos adversos foram mais profundos, aumentando o fosso entre as igrejas latina e grega e gerando enorme ressentimento dos muçulmanos contra o Ocidente cristão.

Esse ressentimento persiste até os dias de hoje.

A Reconquista -- E verdade que alguns cristãos daquele período tiveram uma atitude mais construtiva em relação aos islamitas, procurando ir ao encontro deles com o evangelho, e não com a espada. Foi o caso de alguns dos primeiros membros das novas ordens religiosas surgidas no início do século XIII, os franciscanos e os dominicanos. O mais célebre missionário aos muçulmanos foi o franciscano Raimundo Lúlio (c. 1232-1315), de Palma de Majorca, que fez diversas viagens a Túnis e à Argélia.

Todavia, o espírito predominante do período foi o de beligerância não só contra os muçulmanos, mas até contra grupos cristãos dissidentes, como foi o caso dos cátaros ou albigenses, no sul da França, aniquilados por uma cruzada entre 1209 e 1229.Também data dessa época o estabelecimento da temida Inquisição. Na Espanha, a Reconquista tomou ímpeto no século XIII, e a partir de 1248 os mouros somente controlaram o Reino de Granada. Nos séculos XII e XIII, nesse contexto de luta contra os mouros, Portugal como um reino independente. O Reino de Granada foi finalmente conquistado pelos reis católicos Fernando e Isabel, em 1492, o ano do descobrimento da América. Após um período inicial de tolerância, foi lançada contra os mouros uma campanha de terror, com o propósito de forçar sua conversão. Finalmente, em 1502, todos os muçulmanos acima de 14 anos que não aceitaram o batismo foram expulsos, como havia acontecido com os judeus dez anos antes.

Sob a liderança de Tomás de Torquemada, a Inquisição espanhola, organizada em 1478, voltou-se de maneira especial contra os mouriscos e os marranos (muçulmanos e judeus convertidos ao cristianismo) acusados de conversão insincera.

Ao mesmo tempo em que o islamismo sofria essas pesadas perdas na península Ibérica, obtinha estrondosos sucessos no Oriente Médio e na Europa Oriental. Um novo poder islâmico, os turcos otomanos, vindos da Ásia Central, depois de se estabelecerem firmemente na Ásia Menor, invadiram em 1354 a parte européia do Império Bizantino, gradualmente estendendo o seu domínio sobre os Bálcãs, regiões que estiveram ainda recentemente nos noticiários (Sérvia, Bósnia-Herzegovina, Albânia). Em 1453, elestomaram Constantinopla (hoje Istambul), selando o fim do antigo Império Romano oriental e impondo novas e pesadas perdas à Igreja Ortodoxa. Nos séculos XVI e XVII, os exércitos turcos haveriam de cercar duas vezes Viena, a capital da Áustria (1529 e 1683).

Os dois últimos séculos -- Um período especialmente humilhante para os muçulmanos diante do Ocidente cristão foi o colonialismo dos séculos XIX e XX, em que virtualmente todas as regiões islâmicas do Oriente Médio e do norte da África ficaram sob o domínio de países europeus como a França, a Inglaterra, a Itália e a Espanha. Até o início do século XIX, aquelas regiões haviam sido parte do vasto Império Otomano, com sua capital em Istambul. Com o colonialismo, chegaram os missionários, católicos e protestantes, com suas igrejas, escolas e hospitais.

Após a Primeira Guerra Mundial, à medida que as novas nações árabes foram alcançando sua independência, cresceu o sentimento nacionalista e a reafirmação dos valores islâmicos. Ao mesmo tempo, o islamismo ultrapassara havia muito os limites do mundo árabe, tendo alcançado, além dos persas e dos turcos, muitos outros povos na África e na Asia, chegando à Indonésia, hoje a maior de todas as nações muçulmanas, com mais de 100 milhões de habitantes. Em muitas dessas nações, árabes ou não, a presença de populações cristãs tem produzido graves conflitos entre os dois grupos, como aconteceu ainda recentemente na Indonésia. Um acontecimento pouco divulgado foi o pavoroso genocídio promovido pelos turcos contra os armênios cristãos no início do século XX.

Outro evento que acabou por gerar nova animosidade entre os países muçulmanos e o Ocidente cristão foi a criação do Estado de Israel, em 1948, e a percepção de que o Ocidente, principalmente os Estados Unidos, apóia incondicionalmente o Estado judeu em sua luta contra os palestinos e outros povos árabes.

Dois novos ingredientes nessa luta foram o súbito enriquecimento de algumas nações árabes com a exploração do petróleo e o surgimento do fundamentalismo militante entre os xiitas, antiga facção islâmica minoritária ao lado da maioria sunita. A militância islâmica tem gerado várias revoluções e regimes islâmicos, como aconteceu há alguns anos no Irã. Além do apoio dos Estados Unidos a Israel, os fundamentalistas ressentem-se da presença de tropas americanas na Arábia Saudita, o berço do islã, e da influência cultural do Ocidente em seus países, vista como danosa para sua fé e seus valores tradicionais.

Agora, no século XXI, o islamismo representa o maior desafio para o cristianismo, em diversos sentidos. Como um dos “povos do livro” (expressão aplicada aos judeus e cristãos, visto serem mencionados no Corão), os cristãos precisam reconhecer os muitos erros cometidos contra os muçulmanos ao longo da História e renovar sua determinação de contribuir para o bem-estar político, social e espiritual dos seguidores de Maomé.

 

O Evangelho para os muçulmanos[5]

Em qualquer tentativa de evangelizar o povo muçulmano nos dias de hoje, dificilmente poderemos nos dar ao luxo de cometer os mesmos erros do passado. Um de nossos maiores erros foi não levar em consideração os fatores culturais, linguísticos, étnicos e sociológicos do histórico do povo. Também não podemos nos dar ao luxo de alimentar preconceitos antigos, porém errôneos, contra o mundo muçulmano.

Talvez o erro mais prejudicial tenha sido negligenciar os muçulmanos. Escondidos atrás de desculpas como: “O islamismo é monolítico” e “Os muçulmanos são resistentes ao evangelho”, investimos menos de 2% dos missionários americanos protestantes para o alcance de muçulmanos. Assim, tem havido pouca semeadura e pouca colheita.

Não obstante, em meio aos nossos erros de cálculo, preconceitos e negligências crêem que Deus separou esta hora para o evangelismo entre os muçulmanos. Histórias surpreendentes de países islâmicos dão conta de fatos sem precedentes na evangelização dos muçulmanos e revelam que o mundo islâmico não é de todo resistente. Elas dão à Igreja a esperança de se redimir de sua negligência, eliminar os preconceitos e desviar-se dos erros do passado.

A batalha ideológica no mundo muçulmano: a oportunidade de Deus -- Temos observado um aumento na militância islâmica nos últimos anos. Os movimentos de militância estão presentes em países como Argélia, Paquistão, Irã, Iraque, Afeganistão, Egito, Líbia e Sudão. Ironicamente, apesar de a maioria das nações muçulmanas serem signatárias da Declaração universal dos direitos humanos, eles a interpretam de maneira distinta. Racionalizam que, sendo o islamismo um estilo total de vida, um povo pode ser livre dentro do islamismo, e visto que a lei de Deus está acima das leis e declarações humanas, o que quer que o islamismo diga estará certo. Em meio a essa batalha e à ansiedade, o evangelho cristão pode ser muito atraente. Os militantes lutam pelo que entendem ser uma verdadeira cruzada contra os valores corruptos ocidentais. Outros líderes buscam a estabilidade. Devemos estar atentos aos pontos de estresse nas lutas ideológicas do mundo muçulmano. Em vez de tirar nosso povo dessas situações, devemos perseverar como testemunhas. No Irã, por exemplo, um novo convertido recentemente levou 20 pessoas a Cristo num período de seis meses! Na América, onde muitos iranianos foram abandonados pelo atual governo, há iranianos convertidos a Cristo em quase todas as principais cidades. A pressão produz abertura. Corações intranquilos em busca de significado e paz estão encontrando descanso em Cristo Jesus.

O uso do Alcorão como ponte -- É de extrema relevância para o evangelismo de muçulmanos examinar as Escrituras e ver o que elas mostram sobre abordagens culturalmente sensíveis a outros povos. O método de Jesus é muito sugestivo. Ele não veio pregar o judaísmo nem a salvação por meio da lei. Contudo, ele nunca ataca a lei. Antes, mostra aos judeus que a lei, na verdade, apontava para ele.

Haveria como usar o Alcorão de maneira semelhante entre os muçulmanos? Antes de responder, quero deixar claro que, de forma alguma, igualo o Alcorão ao Antigo Testamento. Estou simplesmente fazendo uma analogia. A grande maioria dos muçulmanos considera o Alcorão a Palavra direta de Deus. Nosso dever é chegar até eles, onde se encontram.

O Alcorão contém alguns versículos magníficos sobre Jesus. São histórias tão gloriosas que, em suas páginas, podemos ver Jesus como o maior dos profetas e de modo especialmente próximo de Deus. Não existe um “evangelho no Alcorão”, porém, com certeza, o cristão encontra nele uma excelente oportunidade para falar de Cristo aos muçulmanos.

Pessoalmente, estou convencido de que o profeta Maomé estava confuso em seu entendimento a respeito de quem era Jesus. Por um lado, ele negou sua divindade e sua crucificação. Por outro, Jesus é chamado de KalametAllah, “a Palavra de Deus” (4:171) e RouhAllah, “o Espírito de Deus” (2:87). E citada uma significativa declaração de Jesus: “Sua [de Deus] bênção está sobre mim, aonde quer que eu vá”. Também no Alcorão, Jesus é o único profeta que ressuscita os mortos. Há também menção de seus milagres e curas e de seu miraculoso nascimento virginal.

Creio que o Alcorão pode ser usado para trazer muçulmanos aos pés de Jesus. De fato, todos os convertidos do islamismo dizem que o Deus que eles conheciam de forma distante no Alcorão agora conhecem mais plenamente em Jesus Cristo. Assim como Jesus e os apóstolos foram capazes de conduzir o povo do Antigo Testamento para o evangelho, podemos apontar Jesus para nossos amigos muçulmanos a partir do Alcorão.

Sei que alguns dirão: “Mas os mestres e líderes muçulmanos não crêem que Jesus é elevado à divindade no Alcorão". E verdade, mas no primeiro século nem os fariseus nem outros líderes religiosos judeus acreditavam que Jesus fosse o cumprimento das profecias do Antigo Testamento. Contudo, o evangelho espalhou- se entre os que deram crédito à pregação cristã. Usando o Alcorão como ponte, poderemos alcançar muçulmanos que foram preparados por Deus para enxergar a Jesus como aquele que ele enviou para redimir a humanidade.

O monólito islâmico: fato ou fantasia?

Por trás de nosso interesse por modelos sensíveis ao aspecto cultural está a conscientização da rica diversidade dentro do islamismo. Os muçulmanos estão divididos em centenas de “unidades homogêneas” as quais diferem umas das outras geográfica, ética, ideológica, cultural e, com frequência, teologicamente. O Irã, por exemplo, não pode ser considerado uma sociedade monolítica. Os persas étnicos compreendem apenas 48% da população, e 8% da população do Irã é formada por curdos, 19% falam a língua turca, 18% são formados pelas tribos Gulani, Baluchi e Luri, e o restante está dividido em muitos grupos menores. Sob o aspecto religioso, os muçulmanos do Irã estão divididos em xiitas, sunitas, bahais e outros, comunistas, secularistas, além de progressistas e conservadores. Tamanha diversidade pode ser observada em dezenas de países muçulmanos.

Outros exemplos de surpreendente diversidade são os 20 mil muçulmanos chineses que migraram e, atualmente, vivem na Arábia Saudita, os 145 mil curdos no Kuwait e os 20 mil muçulmanos circassianos na Jordânia. Os muçulmanos do mundo, em número de um bilhão, falam pelo menos 500 idiomas e estão subdivididos em cerca de 3.500 unidades homogêneas.

Diferentes tipos de terrenos -- Assim como havia diferentes tipos de terrenos na parábola de Jesus, por certo encontraremos muitos tipos de povos muçulmanos. Infelizmente, alguns tratam todo o mundo muçulmano como um tipo único de terreno e, de modo equivocado, aplicam um único método a eles. Não se trata do mesmo tipo de terreno, como testemunham muitos dos que estão envolvidos nesse ministério.

A Indonésia, por exemplo, é o maior país muçulmano do mundo, contando 195 milhões (mais de 80% da população). No entanto, não é uma nação islâmica. O número de muçulmanos na Indonésia que se convertem à fé cristã é surpreendente. Os sudaneses de Java, por exemplo, por longo tempo considerados resistentes ao evangelho, são comprometidos com o islã em vários níveis. Algumas áreas são bastante ortodoxas e resistentes ao cristianismo. Outras são bem menos islamizadas. Igrejas caseiras têm sido plantadas com sucesso nas áreas não resistentes. Importante é que podemos encontrar pessoas receptivas (terreno bom), mesmo na nação muçulmana mais populosa do mundo. Isso não significa que devemos negligenciar o segmento mais resistente da população, e sim que devemos investir nossos melhores esforços no terreno fértil e encorajar os convertidos, que são sensíveis às razões daquela resistência, a evangelizar as áreas menos acessíveis. Devemos também experimentar novas estratégias.

Oportunidades para obreiros transculturais de todas as nacionalidades -- Podemos também aprender com nossos amigos muçulmanos. Por exemplo, há um esforço crescente da Arábia Saudita e de outros países do Oriente Médio para fortalecer o crescimento do islã ortodoxo na Indonésia. A maioria dos missionários nesse movimento são árabes treinados no Cairo e enviados à Indonésia para ensinar a língua árabe e a teologia islâmica.

Uma estratégia sugerida seria enviar cristãos árabes como missionários para as populosas ilhas muçulmanas da Indonésia. Eles também podem ensinar o idioma árabe e pregar o evangelho — serão bem aceitos, pois falar árabe é sinal de prestígio.

Cristãos coreanos estão exercendo um grande impacto sobre muçulmanos na Arábia Saudita.Os sauditas esperam que os membros das igrejas ortodoxas grega, síria e copta sejam cristãos e que americanos, alemães e britânicos sejam pelo menos cristãos nominais. O que lhes causa espanto, porém, é como os coreanos, que não possuem uma história nem um passado de influência cristã, podem ser crentes dedicados a Cristo. O que pode ser mais significativo que uma missão coreana na Arábia Saudita na forma de consultores, técnicos, operários, médicos, engenheiros e outros?

Como resultado do auge do petróleo e das guerras, as nações do Golfo Pérsico têm sido abaladas. Mudanças culturais, econômicas e sociológicas devem ser visualizadas seriamente por pessoas com consciência missionária. A distorção e a desorientação cultural estão se provando um terreno fértil para cristãos com testemunho sensível.

O afluxo de estrangeiros na área do Golfo, provenientes da índia, Paquistão, Irã, Egito, Líbano, Europa e América, hoje excede a população dos nativos. Entre eles, está um número considerável de cristãos. No Kuwait, por exemplo, estima-se que 5% da população sejam cristãos; em Barein, cerca de 2%; no Catar, mais de 2%; em Abu Dhabi, cerca de 4%; em Dubai, pouco mais de 3%. Para sua informação, a grande maioria desses cristãos é estrangeira. No Golfo Pérsico, a maior comunidade cristã é, de longe, a indiana. Estima-se que mais de 30% dos indianos residentes no Golfo Pérsico são cristãos. Essa, a meu ver, é uma das maiores oportunidades para os missionários indianos.

 

O muçulmano deve deixar o Islamismo para seguir a Jesus?[6]

Durante a última década, minha família e eu vivemos na Ásia, num bairro muçulmano com aguçado senso de comunidade.Minha filha, que ama muito nossos vizinhos, certo dia perguntou: “Papai, os muçulmanos vão para o céu?”. Respondi com um “sim” do tipo encontrado em Atos 15.11: “Se um muçulmano aceitar Isa (Jesus), o Messias, como Salvador e Senhor, ele será salvo, como nós”. Afirmamos que as pessoas são salvas pela fé em Cristo, e não por fazerem parte de uma religião. Os seguidores muçulmanos de Cristo (isto é, os crentes C5[7]) são nossos irmãos e irmãs no Senhor, embora não mudem de religião.

Um muçulmano pode verdadeiramente aceitar Jesus como Salvador e Senhor, rejeitar alguns elementos da teologia islâmica e ainda assim (por amor ao perdido) permanecer em sua família e comunidade religiosa? Encontrar a resposta para essa pergunta é essencial, em razão da extrema importância dada pelo islã à comunidade — seu desdém quase universal pelos que se tornaram “traidores” e se unem ao cristianismo — e de nosso desejo de ver os muçulmanos virem a Cristo. Concordo com o dr.Parshall: o tempo de missiólogos, teólogos e especialmente os que trabalham cara a cara com muçulmanos buscarem a vontade de Deus na questão do C5.

O estudo do caso Islampur (nome fictício) -- Os resultados indicam que quase todos os líderes desse movimento estão firmemente apoiados nos ensinos bíblicos sobre a identidade e a obra de Cristo. Não apenas sua teologia básica é sólida, eles também são ativos em sua fé por meio da oração, leitura, audição das Escrituras e reuniões de adoração. O fato de que mais da metade entende a Trindade o bastante para afirmar Deus como Pai, Filho e Espírito Santo é surpreendente, pois isso seria considerado apostasia pela maior parte dos muçulmanos!

Quanto à conservação de um pouco da prática e da crença islâmicas, não devemos nos surpreender que quase metade se sinta perto de Deus ao ouvir a leitura do Alcorão. Já que não entendem árabe, pode ser o canto melodioso familiar que lhes toca o coração. (Alguns crentes do tipo C4 e C5 onde trabalho, cantam uma bela canção de adoração que soa muito parecida com um canto muçulmano.) Também não é de surpreender que metade continue cultuando na mesquita, além de frequentar semanalmente as reuniões do C5. Essa prática lembra os primeiros seguidores judeus de Cristo, que se reuniam tanto no templo quanto nas casas (com a vel

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Terça, 17 de Outubro de 2017