Eventos. SEMAD-MT - Secretaria Estadual de Missões das Assembleias de Deus do Estado de Mato Grosso.

EVENTOS

3º AULA CURSO DE PREPARAÇÃO MISSIONÁRIA - 2015

27/06/2015

 

 

Secretaria Estadual de Missões das Assembleias de Deus de Mato Grosso

 

 

 

 

Implantação de Igrejas Um desafio para os nossos dias

Pr. Cristiano José Matias[1]

 

Ev. Nelson Barbosa Alves

Secretário Estadual de Missões / Semad-MT

Ev. Wesley Marcelino de Oliveira

Secretário Executivo de Missões / Semad-MT

Pb. Claudenir Pereira Dias

Coordenador de Cursos Semad-MT

 

 

 

Cuiabá - MT 27 de Junho de 2015.

 

 

Sumário

 

Introdução.. 3

1.1 - Objetivos deste estudo.. 4

Capitulo 1. 5

Jesus convoca seus discípulos a pregarem o evangelho.. 5

1.1 - A Figura de Cristo.. 6

1.2- A Igreja e sua missão.. 6

Capitulo 2. 7

O papel do líder e seus liderados. 7

Capitulo 3. 8

Trabalhar Baseado em Alvos. 8

3.1-Avaliação de problemas. 8

3.2 - Aqui se define qualidade, quantidade, custos, tempo:    9

Conclusão.. 10

Bibliografia. 11

 

 

 


Implantação de Igrejas Um desafio para os nossos dias

“Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Melhorai os vossos caminhos e as vossas obras, e vos farei habitar neste lugar”. Jeremias 7:3

Introdução

Olhando pela Janela do tempo observamos os registros da igreja primitiva em Atos dos Apóstolos ao longo dos séculos de desafios que se seguiriam no desenvolver da proclamação da mensagem divina entre os povos existentes em Jerusalém e até os confins da terra (Atos 1.8). Neste período de expansão, ou como expressamos a implantação de novas igrejas.

De forma incontestável temos que observar que, não existe métodos ou técnicas fundamentadas na ciência humana que vem ensinar ou dizer essa é a melhor maneira de se desenvolver e fundar igrejas. E sim de forma real a expansão através da manifestação do Espírito Santo trazendo convicções aos ouvintes que impactados com a realidade do reino de Deus são os verdadeiros responsáveis para a criação e implantação de novas igrejas.

Lembrando que nestes dias as igrejas eram levantadas de casa em casa levando o sentimento de Cristo de forma discipularCristãos discipulando Cristãos.

Incontestavelmente esta tem sido a melhor estratégia para expandir, crescer a obra de DEUS. Quando um líder consegue acolher os novos convertidos ou neófitos e treiná-los para o serviço cristão a pregação do evangelho se torna mais eficaz e poderosa. Plantar novas igrejas é a principal estratégia de crescimento mas, para a expansão que queremos e anelamos devemos prepará-los para a levar pão e água aos famintos por Deus, sendo assim teremos êxito em poder desenvolver projetos rurais e urbanos nos nossos dias para a instalação de núcleos pontos de evangelização ou pequenas igrejas nos locais avaliados apresentados em oração a Deus e levado ao grupo responsável para demarcar os dados da localidade escolhida.

Esperamos poder transmitir de forma um pouco resumida o trabalho de um líder com a missão e visão para o crescimento do reino de Deus e a proclamação de sua palavra.

1.1 - Objetivos deste estudo

  • 1. –Após este estudo o interessado a desenvolver a visão deve estar apto a enfrentar os desafios instalados no decorrer do processo de aprendizado e experiência crítica e coerente das situações em que se envolve um líder na disposição de se doar em prol do reino de Deus.
  • 2. - Aprender a desenvolver metas para a organização eclesiástica e reconhecer seus dilemas, erros e acertos no processo de escolhas e liderança na gestão líder, liderados.
  • 3. -Que cada líder possa ser desafiado, treinado e supervisionado na criação, desenvolvimento e implantação de uma nova igreja.

 

Capitulo 1

Jesus convoca seus discípulos a pregarem o evangelho

“E, chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda a enfermidade e todo o mal. Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: O primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Lebeu, apelidado Tadeu;Simão, o Cananita, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu. Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos; mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel; E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça daí. Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos, Nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem alpacas, nem bordões; porque digno é o operário do seu alimento. E, em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, procurai saber quem nela seja digno, e hospedai-vos aí, até que vos retireis. E, quando entrardes nalguma casa, saudai-a; E, se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz”. (Mateus 10:1-13).

Antes de se pensar em implantar uma igreja local o líder interessado deve ter em mente o que Jesus faria em seu lugar? A realidade de Cristo primeiramente está voltada no sentimento homem X Deus. Os interesses desta visão realmente estão focalizando a salvação de vidas para Deus? Ou apenas um sentimento de grandeza e status pessoal. Cada líder deve em primeiro lugar desenvolver um sentimento genuinamente apaixonante por almas. Como dissemos acima, igreja não é regida por métodos explosivos de crescimento, mas sim pelo mover direto do Espírito Santo.

Podemos observar nos dias atuais muitas formulas de crescimentos que lideres tem desenvolvido no decorrer dos tempos entre esses modelos o “Administrador Cristão” tem se destacado de forma rápida em nosso meio eclesiástico. Neste ponto de vista devemos analisar alguns pontos que servem de leme direcional para esses pseudos administradores.

1.1 - A Figura de Cristo

A figura de Cristo como líder é apenas parte da contribuição desta filosofia à ciência da administração. O que está em evidência hoje são meios para um fim, meios que estão se inserindo dentro da visão distorcida dentro de ramos cristãos como modelo de crescimento visando somente o bem estar e crescimento financeiro das pessoas. A evolução desta tendência contemplará o fim em si, alinhará os objetivos de Cristo com os objetivos empresariais e fará parte de toda administração estratégica. O capitalismo trouxe consigo grandes chagas para a humanidade, acredito até que se originou delas. Submeteu-nos a adorá-lo, a colocarmos o dinheiro e o lucro acima de tudo, o lucro aqui é visto como uma necessidade de desenvolvimento e continuidade. Aqui se perde totalmente a visão de reino eterno e se revela o poder material de forma a ofuscar a glória de Cristo.

1.2- A Igreja e sua missão

A Igreja é chamada de “Igreja de Deus, pelo menos oito vezes no Novo Testamento (RC e RA), dando claramente a entender, que Ele, é quem é o dono da Igreja e também quem determina não só os propósitos, mas também os alvos e tudo o mais que se refere à Sua Igreja. Nestes oito textos, é como se Deus advertisse solenemente:

Embora eu queira que minha Igreja cresça, não autorizo a ninguém, a fazer a coisa do seu jeito. Portanto, muito cuidado líder de Igreja! Sua criatividade, impulsividade e desejo de fazer minha Igreja crescer não lhe dá o direito de redefinir o que eu já defini na minha Palavra e já determinei no meu Conselho Eterno”.

Deus não é contra a organização e planejamento, pois Ele mesmo é quem diz, que tudo deve ser feito “com decência e ordem”, e que aquele que vai construir uma torre ou mesmo vai a guerra, deve ter um mínimo de planejamento e previdência quanto a recursos e capacidades para levar a bom cabo o que vier iniciar.

Todavia, dizer como, Rick Warren diz, que, assim como Jesus (Deus-Filho) determinou o seu público alvo e geográfico, nós, também, baseados apenas em circunstancias exteriores ou pesquisas de marketing, podemos determinar exatamente o local e o tipo de pessoas que vamos pregar, é o que Tiago chama de “arrogantes pretensões”, definida por ele como uma coisa não de Deus, mas do maligno. Embora, alguém, possa retrucar dizendo que Tiago falava a outro contexto, ou seja, que só Deus pode definir o futuro, todavia, podemos, também, aplicar este texto, à tentativa humana de fazer definições e determinações da alçada exclusiva de Deus. (http://solascriptura-tt.org/SeparacaoEclesiastFundament/Laerton-CrescIg4-SasAdminstEPraticas.htm).

O alvo do evangelista não é descobrir uma forma de evangelismo mais fácil ou agradável ao seu público alvo, mas que de verdade traz a real glória a Deus e que cumpri de modo responsável e sábio a Grande comissão de “pregar o evangelho a toda criatura”, e não a que elegi como meu público alvo. Algumas igrejas crescem de modo estrondoso, não é porque é uma Igreja com propósito, e com alvos definidos em relação ao público e a geografia. Essas Igrejas crescem de modo estonteante, é porque, em sua exaustiva pesquisa de marketing resolveu dar o que o seu público alvo quer, e pregar de modo que satisfaça a coceira dos seus ouvidos mundanos e inconversos.

Segundo McArthur, sua Igreja cresceu e ainda cresce, não por causa de estratégias e metodologias humanistas, mas, porque, Deus em sua soberania a tem feito crescer, se utilizando, tão somente, dos meios lícitos indicados por Ele em Sua completa, sempre relevante e toda suficiente palavra uma vez por todo revelada na Bíblia. Dependemos de Deus e de seu Espírito Santo e não de métodos humanos.

 

Capitulo 2

O papel do líder e seus liderados

2. 1 -O líder desempenha um papel fundamental:

Como facilitador, ou aquele que desenvolve os projetos, objetiva os alvos a serem alcançados.  Organiza, prepara liderança, supervisiona, está pronto a motivar, aconselhar e unir todos os departamentos em uma única visão.

 

2. 2 -Este líder tem poderes administrativos:

Para desempenhar estratégias para que os alvos estabelecidos não venham se chocar com o alvo estabelecido pelo grupo em um todo.

 

2.3 -Os líderes devem ter maturidade:

Para estabelecerem capacidade para avaliarem os pontos e desenvolverem estratégias para o crescimento, dentro do que lhe foi delegado.

 

Capitulo 3

Trabalhar Baseado em Alvos

  • Os alvos são poderosos motivadores
  • Um líder nato sabe onde ir, e se conduz de forma prudente para não cometer erros no trajeto.

3.1-Avaliação de problemas

Tg 4:14-15 – “Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna. Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando”.

Não podemos querer apenas áreas urbanizadas e com grande poder de crescimento, devemos estar onde Deus acha que devemos estar; ou seja, Deus faz a sua escolha por nós. Pr. Cristiano Matias

Paulo de acordo com sua avaliação da Ásia tentou determiná-la como o seu alvo Geográfico, porém, foi frustrado, isto porque, a Igreja é de Deus e não Paulo, por isso, Deus, através do Espírito Santo frustrou o intento de Paulo, dizendo que o alvo de Deus para ele era a Macedônia e não a Ásia (At 16:6-9). Isso Deus fez para mostrar não somente a Paulo, mas, a qualquer obreiro, em qualquer época, que eles devem trabalhar aonde Deus soberanamente vier a determinar, e não aonde eles acharem ser o lugar mais promissor, conforme sugerido pelas pesquisas antropológicas da sociologia e psicologia de marketing.

Jonas é outro exemplo, de obreiro que tentou estabelecer não só o seu público alvo, mas também o seu alvo geográfico (Jn 1:1-3), e sabemos como foi que Deus reagiu a esta atitude. Conforme as pesquisas antropológicas e marqueteiras de Jonas, tudo contra indicava que ele tentasse iniciar um trabalho em Nínive, porém, Deus gosta e é glorificado em contrariar as arrogantes pretensões da lógica humana. Mostrou para Jonas que o único lugar ideal para um obreiro começar um trabalho é aquele escolhido e determinado por Ele, e que só terá realmente a bênção do céu, se as estratégias e metodologias usadas, foram de verdade e não apenas enganosamente, alicerçadas no Novo Testamento.

Deus é quem Escolhe e Determina o nosso público alvo e o nosso alvo geográfico, e isto ele faz de modo soberano, guiando-nos através de Sua Palavra, das circunstâncias e da compaixão para com determinado seguimento da raça humana, muitas vezes levando-nos para locais e ministérios que jamais sonhamos e até não queríamos, como aconteceu no caso de Jonas. 3.2 - Aqui se define qualidade, quantidade, custos, tempo: - O que precisamos ter, ou ser, ou corrigir?

Ex 1. Precisamos de uma casa pastoral. Ou Ex 2. Precisamos ser uma Igreja mais unida. Ou Ex 3. Precisamos corrigir a falta de interesse dos idosos, dos jovens, das crianças.

3.3 - Declaração Da Missão Ou Objetivo Final Responder a pergunta:

*Aqui se define os ALVOS que levam ao OBJETIVO FINAL. –

O QUE VAMOS FAZER para TER, SER ou CORRIGIR o que PRECISAMOS: Ex 1. Construir grandes igrejas;

Ex 2. Promover eventos que facilitam a comunhão;

Ex 3. Criar condições deles suprirem suas carências.

3.4 - Estratégias Ou Métodos De Ajuda

*Aqui se define responsabilidade: Indivíduo ou Grupo?

Ex 1. Criar uma Comissão Ou Departamento De Construção;

Ex 2. Criar um Departamento De Lazer E Esportes;

Ex 3. Criar um Departamento diversos.

3.5 - Ação, Avaliação, Comunicação (Contínuos)

*Aqui os poderes são delegados e os recursos entregues.

*Tudo deve ser avaliado a luz do objetivo final.

*A comunicação ‚ básica entre o líder e seu grupo, o líder e o pastor, o líder e a Igreja.

 

Conclusão

Poderíamos aplicar aqui diversos conceitos teológicos acerca da formação eclesiástica padrão estabelecidos para crescimento de igrejas, relatórios e gráficos demonstrando igrejas espalhadas pelo mundo e suas conquistas e fracassos, mas, o que Deus está querendo de nós aqui neste momento é que venhamos entender que independente de métodos, estratégias ou meios desenvolvidos na experiência prática. Deus quer homens e mulheres envolvidos em uma dimensão espiritual de tal maneira que venham sentir as dores de parto como aquela que vai dar à luz.

Que Deus venha lhe conceder graça e sabedoria para entender que vivermos para Ele é mais que posição, influencia ou condição de privilégios na vida e sim, entender o poder de sermos SERVOS.

 

Bibliografia

Bíblia de estudo MacArthur
http://solascriptura-tt.org/
http://www.cristianismohoje.com.br/
www.bibliaonline.com.br
 Liderança cristã-ver. Roger l. Smalling, D. Min



[1] Pr. Cristiano José Matias é pastor local em várzea Grande MT no Setor Comademat - É Bacharel em Teologia e Pós Graduado em Aconselhamento e Psicologia pastoral.

 

 

 

 

 

 

Secretaria Estadual de Missões das Assembleias de Deus de Mato Grosso

 

 

 

ANTROPOLOGIA MISSIONÁRIA

Pr. Samuel Gonçalves de Assis[1]

 

Ev. Nelson Barbosa Alves

Secretário Estadual de Missões / Semad-MT

Ev. Wesley Marcelino de Oliveira

Secretário Executivo de Missões / Semad-MT

Pb. Claudenir Pereira Dias

Coordenador de Cursos Semad-MT

 

 

 

Cuiabá - MT 27 de Junho de 2015.

 

 

 

1. INTRODUÇÃO

A estada da Igreja do Senhor Jesus Cristo na terra não é debalde, porém carregada de objetivos importantíssimos e intransferíveis, isto é, a missão dada pelo Senhor Jesus Cristo não pode ser efetuada por nenhuma outra instituição.

Dentre as responsabilidades temos a de evangelizar os povos (Marcos 15:16-18; Atos 1:8) de todas as nações e proclamar-lhes o Salvador. Esta tarefa vem carregada de responsabilidades, pois o Senhor investiu recursos eternos para que tal missão tenha êxito, pois sua vontade é a salvação de todos os homens (1 Timóteo 2:3-5), não obstante o Senhor também conscientizou a sua Igreja que para tal existe um tempo determinado o qual já está se esgotando (1 João 2:18), e exige redobrado esforço de todos os salvos que pertencem a sua igreja (Romanos 1:15).

 

2. OS DESAFIOS MISSIONÁRIOS

Missões como citado anteriormente, é uma responsabilidade da Igreja salva em Cristo, seguida de um grande privilégio, que é libertar almas do poder de Satanás e converte-las a Deus (Atos 26:17-18). Não pode haver privilégio maior pois, a Salvação em Cristo é Plena, abrangendo todo ser humano, espírito, alma e corpo (1 Tessalonicensses 5:23), espiritual, físico e social. Todavia, missões é uma guerra espiritual (1 Coríntios 16: 7-9) que exige capacitação de todos os envolvidos com esta augusta obra. O Senhor da Seara não envia sem antes conscientizar-nos de tais desafios (Mateus 10:18-22), é por isso que o Senhor Jesus ordena que roguemos ao Senhor da seara para que envie mais ceifeiros (Mateus 9:38). Ora, todos os que foram enviados pelo Senhor da Seara foram conscientizados destes desafios (Isaías 6:5), mas capacitados pela Graça de Deus, corajosamente se dispuseram para a Obra Missionária (Isaías 6:8).

O Senhor Jesus, Missionário por excelência, bem sabia dos desafios que lhe aguardavam em sua missão de salvar a humanidade (Apocalipse 13:8), mas não as ignorou, antes se preparou e só no momento exato o Senhor se manifestou (Gálatas 4:4). Isto revela a todos os interessados em fazer missões, a necessidade de sermos capacitados pelo Senhor.

De certo modo os desafios enfrentados pelo Senhor ainda são os mesmos no período pós-moderno, mas travestidos em nova roupagem, a saber: o inimigo (1 Pedro 5:8; 1 Tessalonicensses 3:18), a cultura (Atos 17:11-12), a idolatria (Atos 19:26-27), a falsa ciência (Mateus 22:29; 1 Timóteo 6:20), o radicalismo (Mateus 15:8-9), etnocentrismo(João 4:9-11) e a língua (Ezequiel 3:6).

Como vemos acima estes desafios ainda nos cercam e o Senhor se preparou e venceu todos eles (João 16:33) e não nos isentou das tais, mas nos disponibilizou o preparo para lograrmos êxito nesta empreitada final.

O leitor deve estar se perguntando, o que tem a ver tudo isso com o tema acima descrito? Mas como temos visto o Senhor se preparou e podemos dizer que o Senhor Criador do homem se tornou homem, e como homem se dedicou a conhecê-lo em todos os seus aspectos. Assim sendo, cabe a nós também seguir este exemplo, e um dos fatores importantes que capacita o missionário para tal obra, é conhecer um pouco mais (isto é, o grupo de pessoas para quem o Senhor os enviou).

É neste quesito que passamos a falar do Tema Antropologia Missionária. Para entendermos a necessidade do vocacionado ao trabalho missionário se inteirar e preparar dentro dessas exigências. É preciso responder algumas indagações: o que é Antropologia Missionária? Porque temos que estudá-la? Quais os benefícios trazidos por esta exigência?

 

2.1 Antropologia Missionária

Segundo o guia prático de missões, antropologia é o estudo ou tratado acerca do ser humano, ou ainda, a ciência dos grupos humanos, seus comportamentos e suas produções.

Talvez na precipitação das expressões podemos não dar atenção para tal tema, mas se observarmos o mandamento do Senhor em Mateus 28:19, descobrimos a importância de tal matéria. Neste texto da Grande Comissão, a palavra utilizada para povos é Ethine, cuja tradução corresponde a povos e não nações. Nações muitas vezes não distingue seu povo, por exemplo, quando falamos do Brasil logo vem o termo patriótico; brasileiro, religião, Hino Nacional. É possível evangelizarmos o Brasil e não os seus povos, pois o Brasil como nação é formada por índios, afro americanos, colônias de descendência européia e oriental, cada um desses com sua cultura, língua, crenças. A Antropologia Missionária visa conhecer de forma minuciosa cada um desses grupos a serem evangelizados.

 

2.1.1 Quais as Motivações para estudá-las?

A primeira motivação para tal, foi dado pelo Senhor Jesus, Missionário por excelência. Pois segundo escreve Paulo em Filipenses 2:6-7 que “sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens”.

O texto em foco demonstra o respeito de Cristo para com o alvo de sua missão, a humanidade. Cristo para salvar o homem se fez homem, para sentir, sofrer e acima de tudo falar-lhe na sua linguagem. Imaginemos se Cristo falasse como Deus (Hebreus 12:20-21), mas Cristo falou-nos na nossa linguagem (Hebreus 11) e de uma forma melhor (Hebreus 12:21) o que nos trouxe a salvação.

Cristo quebrou tradições culturais em Samaria, em um ponto de vista humano (João 4:9) convém salientar que foi Jesus que iniciou o diálogo, e não a mulher samaritana. Jesus veio na plenitude dos tempos (Gálatas 4:4), período que Cristo falou em língua universal, ensinando na prática a necessidade da Antropologia Missionária.

A segunda motivação para estudarmos a Antropologia Missionária, é a ordenança do Senhor em Atos 1:8, Jerusalém, Judéia, Samaria e confins da terra. Ora se o Senhor quer salvação de todos os povos é preciso se preparar para alcançá-los, conhecendo-os de forma minuciosa. O próprio Senhor revela a Pedro a necessidade de despojar da cultura judaica para pregar o evangelho salvifíco aos gentios sem judaizá-los (Atos 10:13-16). Vemos isso quando o Espírito Santo ordenou a 1º viagem missionária, onde percebemos o Apóstolo Paulo se destacando ao pregar o evangelho devidamente embasado na cultura dos gentios. É preciso conhecimento do povo destinado para não frustrar tanto o enviado quanto quem o enviou.

A terceira indagação a responder sobre o benefício da Antropologia Missionária é sem dúvida múltipla, mas analisaremos algumas a seguir:

- No enviado: o vocacionado passa a ter uma compreensão maior da sua missão quando passa a estudar os povos pelo qual o Senhor lhe chamou. A princípio o primeiro benefício trazido por esta dedicação é no íntimo do missionário, lhe despojando do seu orgulho nacionalista (Atos 10:14-16);

- No enviante: a igreja que envia o missionário devidamente preparado terá com certeza um trabalho árduo na sua preparação, todavia terá um consolo na sua estada no campo de trabalho (Provérbios 25:14). Todavia, aquela que não tem trabalho no preparo e envia sem considerar essas necessidades, terá um trabalho maior com o enviado, sendo este decepcionante e de prejuízos incalculáveis (Atos 15:36-39);

- No alvo das Missões: como ficamos felizes quando alguém de outra pátria vem ao nosso país e apreciam as nossas belezas naturais, crenças, culinárias, etc., se vestem como nós e degustam nossas comidas típicas, nos fazendo sentir felizes. O evangelho não é uma filosofia nacionalista, ele é Poder de Deus para Salvação de todos que nele creêm (Romanos 1:16). Os povos alvos da missão evangelizadora serão com certeza, mais receptivos a mensagem divina, ao perceber que o Senhor Jesus usa sua língua e cultura para salvá-los.

 

3. AS CONTRIBUIÇÕES ANTROPOLÓGICAS PARA MISSÕES

É preciso esclarecer que a Antropologia não descarta a sequência do preparo anterior nem posterior. Com isto é preciso entender que não é só o conhecimento antropológico que fará o fator divisor do vocacionado. Muito pelo contrário, o conhecimento antropológico se junta a uma planilha que forma um conjunto de preparações para o êxito da missão dada pelo Senhor. Assim sendo, o conhecimento teológico, a vida devocional do missionário, seu caráter cristão, se somam trazendo assim êxito pleno.

Convém salientar que um complementa o outro. Por exemplo, o missionário possui uma vida piedosa, ora e possui conhecimento bíblico, porém não conhece a língua do povo, tal missionário se torna uma fonte de águas vivas em meio a milhões que morrem de sede, por não conseguir verbalizar água na língua do povo para que fora enviado.

Na mesma proporção, este missionário pode ser formado nas ciências sociais e ter o domínio linguístico do povo, mas não possuir uma vida cristã prática. Novamente ele se torna uma fonte seca para milhões de sedentos a morrer porque sabe falar da água na língua do povo, mas não tem para oferecer. Portanto, é preciso ser muito cuidadoso no preparo.

Considerando tal advertência, podemos então analisar a imensa contribuição trazida pela antropologia para a obra missionária, a saber: o conhecimento cultura do povo, conhecimento da língua e a evitar o sincretismo religioso.

 

3.1 - Conhecimento cultural do Povo:

Paulo escrevendo aos Coríntios revelou no capítulo 16:7-9 que porta grande e eficaz se lhe abriu, mas havia muitos adversários. Paulo pluraliza as barreiras a serem enfrentadas e dentre essas está a Barreira Cultural.

Segundo Ronaldo Lidório no livro “Missões o Desafio Continua”, Editora Betânia, pág. 42, as fronteiras culturais podem ser subentendidas como aconteceu com a igreja do século VI, quando se defendia fragilização cultural dos povos, ou destruí-los, como na época das Cruzadas ou até mesmo serem ignoradas como no caso das missões protestantes na Ilha do Pacífico no século XIX. Seguindo o mesmo ponto de vista do autor, vemos a postura da Igreja Primitiva na expansão missionária seguindo um caminho contrário a descrição acima. Paulo segundo ele mesmo testificou, evangelizou o mundo da sua época plantando igrejas que se tornaram árvores frutíferas, gerando outras. Qual seria o segredo de tal êxito? A resposta é o fato da Igreja não ter desprezado a cultura, destruída ou ignorada, antes procurou entende-la.

Segundo a Antropologia, Cultura não é simplesmente grau de estudo formal de uma pessoa, mas sim é a maneira de pensar, sentir e crer de um povo, é um plano segundo o qual a sociedade se adapta. A cultura é adquirida e não determinada por fatores biológicos ou genéticos, mas recebido de geração em geração sempre em modificações.

Sendo a cultura um estilo de vida da sociedade, o missionário precisa saber entender que cada povo possui a sua própria cultura, e tanto ele precisará ser compreendido na sua missão quanto compreender. Assim sendo, precisará entender o comportamento, os valores, crenças e cosmovisão deste povo.

- Comportamento: diz respeito ao que o povo faz;

- Valores: diz respeito às preferências do povo, escolhas, leis;

- Crenças: diz respeito às crenças culturais do povo;

- Cosmovisão deste povo: é a camada central da cultura, que responde a mais básica das perguntas do homem: o que é real?

 

3.2 - Conhecimento da Língua:

É importante para o missionário estar inteirado da língua do povo para onde o Senhor lhe determinou. Segundo Ronaldo Lidório existem hoje mais de 6500 línguas, 4000 não possuem sequer João 3:16 traduzido. Logo este fator se torna para o vocacionado uma barreira a ser vencida. Sendo assim, apresentamos os passos para o vocacionado vencer tal desafio:

Aprender: Segundo Larry D Pate no livro Missiologia, a missão transcultural da igreja aprender é diferente de estudar a língua, ele baseia esta afirmativa em que os estudos em geral aprendem a estudar, ao passo que os que aprendem em geral aprendem a fazer. É importante entendermos que não poderemos nos desculpar como Moisés (Êxodo 4:14-11), precisamos nos conscientizar que desde Babel as línguas se confundiram e é preciso dedicação para entender as demais línguas, mas o Senhor das Missões ouve todos os 7 bilhões de habitantes nas suas línguas, e Ele pode sem sombra de dúvida, nos capacitar para esta empreitada.

O segredo para aprendermos: segundo o mesmo escritor citado acima, para termos êxito no aprendizado é preciso tomar algumas atitudes básicas, a saber:

1-Atitude de aprendiz: se o missionário ao entrar em outra cultura tomar sobre si a condição de aprendiz, ele não precisará provar seu ministério, até que tenha aprendido bastante o idioma e a cultura, melhor ainda, ao passar muito tempo com o povo estará ministrando enquanto aprende;

2-Atitude de Servo: os vocacionados a missão evangelística tem de esvaziar a si mesmos e despojar-se da glória e posição que tinham em sua própria cultura;

3-Atitude de Narrador: o exemplo de Jesus como narrador é valioso, não só para o ensino, mas também para comunicação eficaz enquanto se aprende a língua;

4-Evitar o Sincretismo religioso: o conhecimento antropológico evita que o missionário cometa erros na contextualização da mensagem, trazendo assim um discernimento daquilo que é prejudicial e benéfico. O modo de vida de um povo nem sempre é tolerável pelas escrituras, mas antes de condená-los é preciso se aculturar e nesta posição está se falando na língua deste povo e vivendo como este povo convencê-los do erro. Só não deve haver precipitação no condenar, deve haver prudência na fusão dos elementos religiosos que esta cultura assim proporciona. Sendo assim o missionário deve evitar o sincretismo religioso, que é fusão de elementos culturais diferentes ou até antagônicos em um só elemento.

Paulo e Barnabé possuíam um conhecimento cultural das religiões gentílicas, em especial o Apóstolo Paulo, e puderam evitar tal sincretismo em Listra quando foram saudados como Zeus e Hermes. Esse mal também foi evitado por Pedro e João no caso de Simão (Atos 8:18-21). Este poderia ser um dos males terríveis para a pregação do evangelho, pois Paulo e Barnabé anunciavam o Único Senhor, como associariam ao Panteão Idolátrico Greco-Romano, Pedro e João anunciavam o Espírito Santo como o único dos espíritos malignos?

O conhecimento antropológico ajuda o missionário a interpretar a cultura e discernir o que é pecado nesta cultura e o que não é pecado. Um exemplo é o missionário intercultural na África que estava acostumado a ouvir os fortes e intrincados ritmos de tambores africanos que geravam um agrupamento licencioso. Este se surpreende ao ver os crentes daquele povo ao começarem a tocar os tambores nos primeiros cultos.

Assim sendo, o evangelista fora falar com aqueles novos crentes para dissuadi-los daquela forma de adoração e fora surpreendido por eles quando lhe disseram que não tocavam como outros desde sua conversão, mas só tocavam os toques bons e não maus. Desta forma todos na aldeia sabem discernir qual eram os toques bons e os maus, o que o missionário aprender naquele momento.

Diante destes fatos, a Antropologia Missionária ajuda e capacita o vocacionado a entender melhor a cultura do povo e sua língua, a se contextualizar no meio deste povo, e o mais importante, alcançar o êxito da sua missão.

É preciso definir que a evangelização dos povos não é a nacionalização destes, fato este ocorrido na América Latina, que nos seus primeiros contatos com o evangelho foram ensinados a crer num Cristo Europeu, mais parecido com o super-homem de Nietsche do que o relatado nos evangelho. Isto porque a missão não era evangelizadora, mas sim colonizadora.

Segundo o Pastor José Satírio em seu livro “Missões em Cúcuta”, não era novidade para os nativos americanos, pois já haviam segundo a tradição tribal, profecias relacionadas à chegada de uma raça estranha que os escravizariam pelos seus pecados. Imaginamos se os cristãos espanhóis se dedicassem a conhecer esse povo, qual mais facilmente seria a sua evangelização e posteriormente a sua colonização, já que esta era a meta dos europeus.

Existe no mundo cerca de 5000 etnias que não foram alcançadas pelo evangelho, isto inclui cultura, língua, dialetos que precisam ser decifrados para que tais povos usufruam da Salvação em Cristo Jesus.

 

4. CONCLUSÃO

Se missões é uma ordem dada a igreja (Marcos 16:15-16) e se a desobediência é como pecado de feitiçaria (1 Samuel 16:22-23) como ficaremos diante do Senhor se não fizermos missões?

 

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bíblia Missionária de Estudos.

Guia Prático de Missões. CPAD, obra produzida pelo EMAD.

CAIRNS, Earle E. O Cristianismo através dos séculos. Uma História da Igreja de Cristo. Editora Vida Nova.

PATE, Larry D. Missiologia, a Missão Transcultural da Igr



[1] Pr. Samuel Gonçalves de Assis é pastor local em Cuiabá, setor Coxipó e Bacharel em Teologia.

 

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Segunda, 11 de Dezembro de 2017